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O Brasil possui um dos maiores contingentes da biodiversidade existente no planeta, com uma área de 8.511.965 km2, dotado de características geomorfológicas e biológicas privilegiadas. De acordo com McNEELY (1990), o Brasil está no topo da lista mundial em diversidade dos seguintes organismos: primatas (55 espécies - 24% do total mundial), anfíbios (516 espécies); vertebrados terrestres (3.010 espécies), angiospermas (55.000 - 22% do total mundial), peixes de água doce (mais de 3.000 espécies - 3 vezes mais do que qualquer outro país), e insetos (estimado entre 10 a 15 milhões de espécies, muitos das quais ainda não foram identificadas pelos cientistas). Alem disso o Brasil ocupa o 4º lugar no ranking mundial em diversidade de répteis (467 espécies) e mamíferos (428 espécies), e 3º em pássaros (1.622 espécies). Coube aos brasileiros o privilégio de viver num dos países com a maior diversidade em aves do mundo, de acordo com a literatura especializada. O total de espécies de aves registradas em território brasileiro é de 1.560. Contando-se as raças geográficas, esta cifra ultrapassa em muito as 2.500 formas diferentes. As 1.560 espécies equivalem a 54% das aves de toda a América do Sul. Vivem neste Continente 2.906 espécies (SCHAUENSEE, 1966), correspondendo a uma terça parte das aves do mundo cujo número foi calculado em 78.700 espécies, sendo que muitas destas estão ameaçadas de extinção por vários motivos tais como destruição de habitat, caça, inseticidas, envenenamento de aves aquáticas com chumbo e comércio de aves. Ainda segundo McNEELY (1990) o Brasil tem a maior floresta tropical fechada do mundo com 357 milhões de há, contabilizando aproximadamente 30% do total de florestas tropicais do mundo, excedendo o segundo país mais rico (Indonésia) em 3 vezes. De fato o Brasil tem uma área de floresta tropical maior do que a do restante da América do Sul e Central juntas; mais que toda a Ásia e que toda a Africa. Levando em consideração todos os tipos de florestas do mundo, o Brasil é o segundo país em cobertura florestal perdendo apenas para a antiga União Soviética no total de cobertura florestal. Só na província Atlântica existem cerca de 10.000 espécies de plantas nativas, das quais a metade é endêmica, ou seja, não é encontrada em qualquer outro local (VAZ, 1994). Por sua vez, a Província Amazônica detém provavelmente de 5 a 30 milhões de espécies silvestres vivas. Destas, apenas 1,4 milhão de espécies foram identificadas, sendo 750 mil de insetos, 40 mil de vertebrados, 250 mil de plantas e 360 mil pertencentes a microbiota. As plantas, os animais e os microorganismos da Terra em inter-relação mútua com o ambiente físico nos ecossistemas formam os alicerces do desenvolvimento sustentável. Os recursos bióticos dessa riqueza vital respaldam o nível de vida e as aspirações humanas e permitem a adaptação às novas necessidades e ambientes. A constante deterioração da diversidade de gens, espécies e ecossistemas que vem acontecendo hoje irá solapar o progresso rumo a uma sociedade sustentável. Na verdade, a contínua perda de biodiversidade é um indício revelador do desequilíbrio entre as necessidades humanas e a capacidade da Natureza (RAVEN, 1992). É indiscutível a importância de se conservar a biodiversidade. Hoje, a riqueza da vida na Terra, é o produto de milhões de ano de história evolutiva. Segundo RAVEN (1992) a humanidade tira todo seu alimento e muitos de seus remédios e produtos industriais da biodiversidade, sejam eles silvestres ou domesticados. Nos anos 70, por exemplo, os benefícios econômicos das espécies silvestres por si sós respondem por cerca de 4,5% do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos - no valor anual de 87 bilhões de dólares. A pesca, baseada predominantemente em espécies de ocorrência natural, contribuiu com aproximadamente 100 milhões de toneladas de alimentos no mundo inteiro em 1989. Na realidade, as espécies silvestres constituem a dieta básica em grande parte do mundo. Em Gana, três entre quatro pessoas recorrem a estas espécies, como sua maior fonte de proteínas. De acordo com SARAWAK (1992) a diversidade biológica está sendo minada mais rapidamente do que em qualquer época desde que os dinossauros morreram há 65 milhões de anos. Acredita-se que o processo mais radical de extinção esteja nas florestas tropicais. Segundo as estimativas mais otimistas aproximadamente 10 milhões de espécies vivem na Terra e as florestas tropicais abrigam entre 50 e 90% deste total. Cerca de 17 milhões de hectares de florestas tropicais, uma área quatro vezes maior que a Suíça estão sendo desmatados anualmente, e os cientistas calculam que nesse ritmo, 5 a 10% das espécies das florestas tropicais podem ser extintas nos próximos 30 anos. O mesmo autor esclarece que essa estimativa pode ser conservadora, no entanto, as taxas de perda de floresta tropical estão aumentando, e algumas florestas particularmente ricas em espécies provavelmente serão destruídas ainda nos nossos dias. Alguns cientistas acreditam que aproximadamente 60.000 das 240.000 espécies de plantas, e talvez até proporções maiores de insetos e vertebrados, podem ser extintos nas 3 próximas décadas, a menos que se reduzam imediatamente as taxas de desmatamento. A extraordinária perda de espécies e ecossistemas encobre ameaças igualmente grandes e importantes à diversidade genética. No mundo todo, cerca de 492 populações geneticamente distintas de espécies de árvores (entre elas algumas espécies completas) estão em perigo. No nordeste dos Estados Unidos, 159 populações geneticamente distintas de peixes que migram para o oceano estão em grave ou moderado perigo de extinção, se é que já não desapareceram (SARAWAK, 1992). RAVEN (1992) mostra que com o tempo, o maior benefício da diversidade para a humanidade residirá nas oportunidades de adaptação às mudanças locais e globais. O potencial desconhecido dos gens, espécies e ecossistemas representa uma fronteira biológica inesgotável, de valor inestimável. A diversidade genética permitirá adequar as culturas a novas condições climáticas. A biota da Terra é um laboratório químico incomparável em tamanho e criatividade e guarda o segredo das curas desconhecidas para novas doenças. Uma gama variada de gens, espécies e ecossistemas é um recurso que pode ser usado á medida que as necessidades e demandas humanas se alterem. A deterioração atual da biodiversidade tem causas diretas e indiretas, de acordo com SARAWAK (1992) Os mecanismos diretos incluem a degradação e fragmentação do habitat, a invasão de espécies introduzidas, a super exploração dos recursos vivos, a poluição, as mudanças climáticas globais, a agricultura e o reflorestamento com fins industriais. Mas não são estas as raízes do problema. O empobrecimento biótico é uma consequência quase inevitável da maneira pela qual a humanidade vem usando e abusando do ambiente no curso de sua ascensão até a posição dominadora da biosfera. Sob qualquer ponto de vista, o mecanismo mais eficiente para conservar a biodiversidade é prevenir a destruição ou degradação do habitat. Não há melhor alternativa para conservar a diversidade de paisagens e de ecossistemas. Mas para conservar espécies individuais, populações e gens, a proteção do habitat terá que ser complementada por uma ampla gama de outras técnicas, que variam desde programas de manejo de espécies em áreas silvestres, até a proteção ex situ em jardins botânico, zoológicos, bancos de gens e aquários (TOLBA, 1992). De acordo com DASMANN, (1981) embora tenham dado grande ênfase na necessidade de um sistema de reserva que protegerá vegetaçõe e hábitats de animais, esta não é a única exigência para prevenção da extinção de espécies. Uma quantia enorme de perda animal ainda é diretamente atribuída a caça ou outros tipos de matança, e alguns destes vem ocorrendo dentro de parques nacionais e outras reservas. O Brasil devido a riqueza de sua biodiversidade e ao descaso dado pelas autoridades do governo, ocupa o papel de um dos principais países fornecedores de matéria prima para os países desenvolvidos, dentre os quais destaca-se o tráfico de animais silvestres. TOUFEXIS, (1993) afirma que mesmo hoje, com todo o processo de industrialização de sua economia, o Brasil continua transferindo riquezas naturais para países desenvolvidos e está entre as nações que mais exportam produtos da fauna e flora silvestres. Não se tem uma dimensão exata do valor movimentado nem do número de animais traficados. Segundo dados não oficiais os valores no mundo giram em torno de US$ 10 bilhões/ano, sendo que o volume de animais silvestres comercializados no Brasil pode chegar a 15%. Segundo ROCHA (1995), desde os tempos coloniais este comércio tem contribuído intensamente para o empobrecimento da diversidade faunística do Brasil, trazendo consigo a pior ameaça que paira sobre a riqueza genética natural brasileira. Técnicos e ambientalistas acreditam que a segunda principal causa da redução populacional de várias espécies nativas é a atividade do comércio ilegal de flora e fauna, depois da redução do habitat devido ao desmatamento (TOUFEXIS, 1993). Os números do tráfico de animais silvestres, no Brasil, são altos, em função de poucos recursos disponibilizados para o combate ao tráfico. No Brasil um fiscal do IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) é responsável pela fiscalização de 4250Km2, em média. Segundo ROCHA (1995), o Brasil situa-se entre os principais países do mundo que comercializam e exportam espécies da fauna e flora silvestres de forma ilegal. A primeira constatação que se faz sobre este tipo de tráfico no Brasil é a de que não existe nenhuma informação sistematizada ou estatísticas por parte dos órgãos governamentais responsáveis pela fiscalização de tal comércio. Ainda segundo o autor o mesmo aplica-se às ONGs brasileiras que atuam em defesa dos animais. Nenhuma instituição no país detém um banco de dados sobre o tráfico em questão. O tráfico de animais silvestres é um problema que aflige todo o mundo, além do Brasil países como Argentina, Peru, Guiana, Venezuela, África do Sul, Zaire, Tânzania, Kenya, Senegal, Camarão, Madagascar, Índia, Vietnã, Malásia, Indonésia, China e Rússia estão entre as principais nações exportadoras da fauna e flora silvestres (TOUFEXIS, 1993). Segundo RAMOS (1995), o principal fluxo do comércio ilegal dirige-se da Região Nordeste para a Região Sudeste. Pode-se afirmar que o eixo Rio-São Paulo concentra a maior parcela de todo o comércio praticado a nível nacional. Para alimentar a demanda existente nessa região, existem diversas redes montadas que permitem burlar a fiscalização realizada nas principais rodovias do país, capazes de trazer animais das Regiões Nordeste, Norte e Centro Oeste, percorrendo até 3.000 quilômetros de distância. As principais cidades e municípios que fornecem animais da fauna silvestre para os contrabandistas abastecerem os grandes centros do tráfico, eixo Rio-São Paulo estão mostradas na tabela 1. Tabela 1: principais cidades que fornecem animais para o tráfico.
Fonte: relatório do WWF " Tráfico de animais silvestres no Brasil", 1995. Dentre as espécies mais procuradas estão os papagaios, para decoração de casa ou não. Característica como, a beleza, penagem luminosa, habilidade para aprender a falar, e facilidade relativa de cuidados, faz com que papagaios neotropicais sejam objetos ideais para a indústria de pássaros. A diversidade de papagaios das florestas neotropicais podem satisfazer os gostos de qualquer aviculturista conservacionista ou não, fazendo desta espécie a mais popular no comércio de animais silvestres (THOMSEN & MULLIKEN, 1991). Recentes estudos documentaram o uso de papagaios para comida, como fonte de penas para arte de plumagem dos aborígenes, e como animais de estimação em alguns países sul americanos. Porém, é o comércio internacional de papagaios neotropicais a fonte primária de preocupação entre biólogos conservacionistas. Mais de 1,8 milhões (43%) dos 4,2 milhões de papagaios comercializados internacionalmente entre 1982 e 1988 são oriundos do Neotropico (THOMSEN & BRAUTIGAM, 1991). Um diagnostico da situação do comércio de animais silvestres é de grande importância para que se possa elaborar um plano de ações contra o tráfico. Através de um questionário realizado na antiga União Soviética CHESTIN & POYARKOV (1995) averiguando a situação do tráfico de animais silvestres, constataram que o comércio ilegal ocorre publicamente no país sem nenhum tipo de fiscalização ou controle feito pelo governo. A maior parte dos entrevistados (81%) mencionaram que produtos da fauna silvestre eram encontrados nas feiras das cidades. Cerca de 36% dos entrevistados mencionaram propagandas publicadas em jornais locais, 47% se referiram a propagandas coladas em paredes e 31% mencionaram propagandas transmitidas sobre o comércio. Essa abertura é evidenciada por um fraco sistema de controle e/ou fraca legislação.
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